Quando o Fluminense entrou em campo ontem no modesto estádio de Beautiful Girl (como diz o Cronista) para enfrentar o Maricá. As luzes do estádio iluminavam um gramado que parecia fofo e as arquibancadas recebiam aqueles torcedores fiéis, que insistem em acompanhar o time em qualquer lugar, mesmo quando a ocasião ainda não promete muito.
Mas no universo paralelo da internet, o jogo começara muito antes do apito inicial. Nos canais de YouTube dedicados ao Fluminense, os youtubers (pseudo-profundos conhecedores de futebol e alguns até pseudo-tricolores) publicavam seus "Pré-jogo" citando objetividades incabíveis sobre as obrigações que o Fluminense Football Club teria naquele jogo.
É Nelson Rodrigues os idiotas da objetividade seguem atuando...
Quando a bola rolou, o que era claro e facilmente previsível se viu, principalmente no primeiro tempo: o time ainda era um quebra-cabeça em montagem. Passes tortos, jogadas desorganizadas, poucas finalizações. Era o terceiro jogo da temporada, com um elenco misto, formado por quem busca espaço e quem ainda busca fôlego. Era um jogo para testes, ajustes, experimentos. Mas, no tribunal virtual e na arquibancada contagiada (ou seria contaminada??) pelos canaleiros, esses argumentos não tinham vez. No segundo tempo se viu um time um pouco mais determinado, mas o adversário abriu o placar e no final o Flu empatou de pênalti.
Assim que o juiz encerrou o jogo, os youtubers "Top 5" (em número de seguidores) que falam do Fluminense reassumiram a cena, como Mães Dinah. Com títulos sensacionalistas, vozes exaltadas e gestos teatrais, sentenciaram o time: "Início de ano assustador!", "Que time horrível!", "Precisa melhorar muito!", "Que feiúra, que bagunça", "Os moleques estão salvando Marcão!", ignorarando o contexto, como se janeiro fosse abril, como se o entrosamento de um elenco e a agilidade física pudessem surgir num passe de mágica.
O que eles esquecem - ou fingem esquecer, devido à necessidade de massagearem o ego de parte da torcida e/ou de não serem chamados de contraditórios ou de "passa pano" - é que o futebol tem seu próprio tempo. Um time não nasce pronto e o Fluminense, como qualquer outro, precisa de jogos como esses do time "do Marcão" para atenderem ao criminosos calendário da FERJ se encontrar. A construção de uma equipe de futebol não acontece em dez partidas, muito menos em três.
Quem espera assistir a um time brilhante, com jogadas ensaiadas e passes perfeitos, deveria esperar mais algumas rodadas. Deveria - no mínimo - aguardar pelo jogo em que o Fluminense "do Mano" estará em campo.
Para mim, há uma certeza cada vez maior: quanto mais eu assisto os jogos do Flu, menos dependo de opiniões advindas dos canaleiros dedicados ao Fluminense. O que preciso consumir de rarissimos deles, são informações. Opinião por opinião, eu fico com as minhas e de alguns Tricolores que apenas torcem e que quando cometem algum lapso em suas análises o fazem de forma passional e não comercial.
Haja paciência, saudade da época em que o jornal do Sports era a mais atualizada mídia a falar sobre o Tricolor das Laranjeiras!
