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Apaixonado pelo Fluminense Football Club e pelas crônicas de Nelson Rodrigues. Cronista do nosso Tricolor.

terça-feira, 19 de novembro de 2024

Mãe Dináh Fala dos Números do Flu em 2024.

 

Esse material tentará fazer uma revisão dos Resultados Econômico-Financeiros do Fluminense (Superávit e Caixa) à luz dos eventos mais significativos que estão ocorrendo. Ou seja, levarei em conta as discrepâncias das negociações de Compra e Venda de jogadores, o provável não atingimento de Resultados Desportivos e até mesmo a não consecução de novas vendas de Direitos da LFU.

Revisão dos Resultados Econômico-Financeiros do Fluminense

Farei uma análise sobre como as alterações desses eventos supramencionados afetam o Resultado e o Caixa apenas de 2024.

Falarei abaixo, de forma simples, alguns conceitos contábeis básicos, para ajudar na compreensão daqueles que não são da área, buscando expor as consequências na contabilidade do clube, dentro de uma perspectiva de Gestão Responsável.

Farei isto tentando não cair na armadilha de simplificá-los demasiadamente, para não induzir o leitor ao erro.

Em primeiro lugar é preciso explicar alguns conceitos básicos contábeis como o de Fato Gerador e Competência (do Exercício Contábil).

Fato Gerador: É a situação / movimento que gera um compromisso contábil. Por exemplo: ligar para um empresário e perguntar a situação de determinado jogador não gera nenhum compromisso. Já assinar um contrato de compra, gera o compromisso de pagar.

Competência: Um Fato Gerador que gera um compromisso, precisa ser registrado naquele determinado exercício (ano gregoriano), independentemente de as consequências (pagamentos ou recebimentos) ocorrerem em outros anos. Por exemplo: recebimento da venda de um jogador pode ser feito em anos subsequentes, mas o registro da venda (consequentemente, a Receita) se dá no “dia” da ocorrência do Fato Gerador – assinatura do contrato de venda.

Temos aí a primeira consequência prática. Quando vendemos um jogador ele é registrado como Receita “exclusiva” daquele ano, independentemente de os valores serem pagos em 2 ou até mesmo 3 ou 4 anos.

Outro ponto importante: quando se faz o Orçamento de venda de Direitos econômicos de jogadores, ela não se restringe à venda de jogadores com contrato no Fluminense. Qualquer venda realizada, de jogadores que temos Direitos Econômicos (ou mesmo tenhamos Direito como Clube Formador), gera receita para o Clube, mesmo de jogadores com Direito Federativo em outro Clube.

Dou como exemplos de Receita o valor correspondente ao nosso percentual no “passe” do Evanílson do Porto para o Bournemouth. Outro ponto: Os valores recebidos como Clube Formador também contam, como, por exemplo, o de Matheus Martins da Udinese para o Botafogo.

Listei nesse artigo (Quadro #01) a venda de mais de 10 “Jogadores”, gerando receita ao Clube de quase R$254 milhões, um recorde absoluto, 120% acima do Orçado (R$ 115 milhões) para este ano. O Valor a mais é de R$ 139 milhões.

Quadro #1




















Só como observação, para se evitar ufanismo exagerado, em 2023, as vendas de direito do Fluminense foram da Ordem de R$ 50 milhões para um Orçamento de R$ 90 milhões

Do outro lado da Balança, tivemos compra de Direitos de 6 jogadores (Quadro #02). Não considerei aqui o pagamento de “luvas”, que é assemelhado à compra de Direito, por pura falta de informações detalhadas. O Valor total de compras chegou à casa de R$ 67 milhões.

O Fluminense não informa seu orçamento de Investimentos (compra de jogadores), mas sendo até um pouco conservador, estimo este o valor da ordem de R$ 35 milhões, muito maior dos que a média de compra de Diretos dos últimos 5 anos, nunca superior a R$ 20 milhões.

Ou seja, o orçamento foi superado em mais de 90%, ou R$ 32 milhões, gerando, digamos, um “déficit” de R$ 32 milhões.

Quadro #2

















O Resumo é que tivemos um valor positivo na Balança de compra e venda de Jogadores da ordem de R$ 107 milhões (R$ 139 – 32 milhões). O impacto, porém, no Resultado Contábil (considerando somente esses 2 eventos) foi até maior do isso.

Voltando ao que foi falado em textos anteriores de Fair Play Financeiro, um dos itens capitais para a exclusão de um Clube é o do chamado Patrimônio Líquido (PL) negativo.

Grosseiramente, essa situação indica que se o FLU vendesse todos seus bens (inclusive a sede tombada – o que é proibido), pelo valor contábil indicado, mesmo assim não se conseguiria saldar todas as dívidas do Clube! O Fluminense está com PL negativo por décadas.

Falando de LFU

Ano passado tivemos um Resultado superavitário histórico de quase R$ 80 milhões(contra R$ 7 milhões de 2022), sendo este impactado fortemente pela antecipação de R$ 122 milhões na venda de direitos futuros da Liga (LFU).

Com isso nosso Patrimônio Líquido negativo caiu, alcançando em 31/12/23 “apenas”, R$ 185 milhões NEGATIVO. Guarde esse número!

Adicionalmente informo que no Orçamento de 2.024 está prevista a venda de Direitos da LFU de mais R$ 34 milhões (R$ 57 milhões em 2025).  Porém isto está prestes a mudar, ou seja, esses valores considerados nas Receitas e no Caixa de 2024 (e 2025 também) podem não mais ocorrer!

NESTE MOMENTO está sendo discutido na LFU não vender mais participações adicionais!

Começarei a fazer agora um exercício empírico, tentando projetar o Resultado (e depois o Caixa) de 2024. Serei a Mãe Dináh Tricolor?

Nessa estimativa, não altero as previsões orçamentárias iniciais nos itens: Plano Sócio Torcedor, Patrocínios e Bilheteria – apesar de esta última ser de difícil consecução, não só pela redução da média de público, como também pelas promoções de ingressos principalmente no Brasileirão.

O foco estará, como dito no início desse texto, nas variações das previsões orçamentárias originais de:

1) Venda de Jogadores;

2) Compra de Jogadores;

3) Não Antecipação de Venda de Direito da LFU e;

4) Resultados Desportivos.

Farei o que os economistas chamam de “Análise de Sensibilidade”, ou seja, avalio qual o impacto da variação dos valores realizados, comparado aos inicialmente orçados. Isso tanto no Resultado Final quanto no Caixa do Clube. Repito: a avaliação se restringe ao ano de 2024.

Agora, infelizmente, terei que falar de mais alguns conceitos Contábeis.

Conforme já mostrado acima, tivemos um excedente de venda de Jogadores (acima do orçado) de R$ 139 milhões. Já na aquisição de Direitos, houve um “gasto” acima do orçado da Ordem de R$ 32 milhões, gerando um “saldo” de R$ 107 milhões.

Ao contrário do que nos diz uma avaliação simplória, esse valor não deve ser jogado direto a resultado. Conforme já falei em outro texto (Lógica de Compra e Venda de Jogadores), essa diferença se comporta muito mais, no longo prazo, como Fluxo de Caixa do que como Resultado.

Senão vejamos. A diferença positiva nas Vendas impacta diretamente o Resultado porque o Fato Gerador da Venda é Receita. Portanto na Análise de Sensibilidade, haverá um aumento marginal de R$ 139 milhões no Resultado (superávit). Guarde esse número!

Já a lógica no Resultado na Compra de jogadores não acontece de forma direta, porque Compra de jogadores não é despesa (pelo menos no momento do Fato Gerador) é Investimento! O Investimento em jogadores “entra” na Despesa anualmente em parcelas, conforme o tempo de contrato.

Exemplo: Caso um jogador seja comprado por R$ 20 milhões e seu contrato seja de 4 anos, poderei colocar (apropriar) como despesa 1/4 desse valor, ou seja, R$ 5 milhões por ano.

Na Análise de Sensibilidade assumi uma regra: que os (valores) jogadores comprados a mais esse ano, foram contratados por 3 anos o que nos deixaria incluir 1/3 desses valores adicionais como Despesa. No entanto como a maioria destes jogadores foi comprada no segundo semestre, o “gasto” adicional de “despesa não seria de 33% e sim a metade, 17%.

Portanto, o valor adicional de investimento da ordem de R$32 milhões, gera um incremento de despesa este ano de apenas R$ 5,5 milhões.  

Logo o “saldo” dessas 2 linhas irá gerar um incremento no Resultado esperado (R$ 139,5 milhões) de R$ 133,5 milhões (muito maior que os R$ 107 milhões de saldo entre Venda e Compra de Jogadores). Guarde também esse número! (Quadro #03) 

Quadro #3





Lembram que falei que a LFU está trabalhando a NÃO VENDA de mais direitos e que este seria em 2024 no valor de R$ 34 milhões? Ou seja, como no Orçamento tínhamos essa Receita da Venda de Direitos da LFU, temos que eliminar agora esse efeito, ou seja, esse valor pode ser totalmente abatido da Receita Orçada para 2024, assim como mais tarde veremos o reflexo no Caixa do Clube.

Resultados Desportivos

Foi previsto chegarmos às 4as de final da Copa do Brasil, Semifinais da Libertadores e 5º.Lugar no Brasileirão.

Hoje, já perdemos R$ 4,5 milhões na Copa do Brasil. Caso fiquemos no 16º.lugar no Brasileirão, perderemos R$ 22 milhões, e se não ultrapassarmos as 4as.da Libertadores, perderemos outros R$ 12 milhões. Ou seja, desportivamente falando, temos um potencial (trágico) de deixar de faturar R$ 38,5 milhões e aqui a perda de Receita é direta, assim como no Caixa, que será visto à frente. Vide saldo 2 – Quadro #4

Quadro #4






Portanto, aquele superávit adicional de R$ 133 milhões, com o ajuste acima dos Resultados Desportivos e da Não Venda de Direitos da LFU, fica reduzido para “apenas” R$ 61 milhões. Infelizmente não temos a Previsão Orçamentária do Superávit final, o que não nos permite avaliar o quanto conseguiremos reduzir o PL Negativo dos R$ 185 milhões (31/12/23). 

Uma coisa, porém, podemos afirmar: dificilmente temos Orçamentos projetando Prejuízo. Com isso, minimamente, reduziremos nosso PL Negativo de R$185 milhões (31/12/23) para R$ 120 milhões (em 31//12/2024).  

Esse valor de PL Negativo continua sendo vergonhoso, ainda fora de um eventual Fair Play, mas que denota recuperação e cuidado na Gestão.

Fluxo de Caixa

Vamos agora falar de Fluxo de Caixa, com a visão também de Análise de Sensibilidade. Começando pelo mais fácil de explicar.

Lembram que falei que não mais venderíamos participação na Liga, e que esse montante é de R$ 34 milhões? Ora, esses valores são pagos à vista, ou seja, não vender, implica na perda deste montante no Caixa do Clube.

Também demonstrei acima que temos potencial de Perdas de Resultados Desportivos da ordem de R$ 38,5 milhões, que também são pagos à vista! Claro que, como são campeonatos em curso, poderemos (e deveremos) seguir subindo posições. Isto trará impactos positivos tanto no Resultado quando no Caixa. Veremos essa análise no final do texto.

Resumindo, nesses 2 itens (Perdas nos resultados desportivos e NÃO venda de Direitos da LFU). Há o potencial perda de Caixa, (valores que deixam de entrar) de R$ 72 milhões, uma lástima! Mostro novamente o Q #04 para você olhar, agora dando destaque à perda desses valores.

Quadro #4b










Agora um pouco mais difícil.

Na Venda /Compra de jogadores assumirei uma posição de certa forma Conservadora, estimando que tantos as vendas quanto as compras sejam feitas em 4 anos, parcelas iguais. Com isso em 2024 só entrará no Caixa 25% do Valor.

Como tivemos um Saldo de Vendas/Compras da ordem de R$ 107 milhões , minha previsão é que, deste saldo, entre em Caixa APENAS R$ 27 milhões (Quadro # 05).

Quadro #5




Fechando a conta, em termos de Caixa, considerando também as perdas nos itens Desportivos e na Venda de Direitos da LFU, precisaremos buscar (Quadro #06) financiamento adicional (Bancos) de R$ 45 milhões, ou seja, não podemos deixar de avançar nem na Copa Libertadores nem no Campeonato Brasileiro!

Quadro #6








Caso avancemos (opção 1) às Semifinal da Libertadores e chegarmos ao 10º.lugar no Brasileirão, nossa necessidade de Caixa se reduz para financiamento de apenas R$ 22 milhões.

Como acho muito improvável subirmos além do 10º. Colocado, precisaremos chegar à Final (opção 2) da Copa Libertadores (que pagará R$ 36 milhões ao Vice-Campeão), gerando aí também um Caixa positivo da ordem de R$ 14 milhões que também afetará o Resultado final de Balança do Fluminense no mesmo montante. Segue abaixo (Q #07) essas considerações.

Quadro #7












Conclusão
A Conclusão que chego é que, em termos de Resultado, praticamente nada do que acontecer tem o potencial de “estragar” o Resultado de Superávit deste ano.

Claro que uma eventual queda para a 2ª.divisão, ou até mesmo não conseguir chegar minimamente a uma Copa Sul-americana, irá destruir a moral dos jogadores e da Torcida para 2025, bem como o valor do clube para potenciais investidores.

No entanto, a situação de Caixa permanece comprometedora, onde muito provavelmente precisaremos buscar apoio de Bancos para fechar o Fluxo de Caixa e de 2024.

A análise final é positiva, mas talvez não tão positiva quanto a perspectiva da maioria das pessoas.





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